Radar: The Future Is Medieval

É, cada vez mais as bandas estão se direcionando à internet. Provavelmente devido à onda de inovação provocada pelo álbum “In Rainbows” do Radiohead (na qual o comprador decidia o preço do produto), a banda inglesa de indie rock Kaiser Chiefs lançou em junho deste ano o seu último álbum, “The Future Is Medieval”, com um diferencial: Quem quiser criar a sua própria versão do álbum tem a possibilidade de fazê-lo no site da banda, pelo preço de £7,50.*

Fazendo o álbum:

Pensando em pessoas com perfis diferentes, o KC criou dois métodos para adquirir um álbum. O criativo, que requisita um pouco de sagacidade e perspicácia, e o preguiçoso menos trabalhoso, para pessoas que querem o produto pronto. No método criativo, a pessoa deve escolher num banco de dados com vinte músicas, as suas dez preferidas para integrar o álbum (sim, só podem ser escolhidas dez músicas). Feito isso, a pessoa chega à fase de criação da capa, que é feita usando as ferramentas do site. Depois, claro, vem a parte não customizável e não optativo que é o depósito de £7,50. Só. Mas talvez o mais legal de todo esse processo não seja a dita customização, e sim a parte financeira. Não, os gnomos não roubaram a minha sanidade. A parte financeira deve ser a parte mais legal por um simples motivo: Ao criar o álbum, você automaticamente se torna um sócio do KC, e com isso, você ganha a possibilidade de vender esta sua própria versão no site! Yes, it’s money, sweet money! Aí você diz: Que coisa maravilinda e fantabulosa Diogo! Isso vai me trazer rios de dinheiro? E a resposta é um grande não, mas pode custear a compra do álbum, afinal, cada venda da sua versão vai arrecadar 7,50£: 1 pra você e 6,50 pro KC. E se você ainda não entendeu todo o esquema, são aquelas pessoas preguiçosas com menos disposição que comprarão o seu álbum (Sim, esse é o segundo método de compra). =D

Avaliação:

Agora, vamos ao que interessa: vale à pena comprar o álbum? “The Future Is Medieval” é uma demonstração de que o Kaiser Chiefs pode ser uma banda mais sombria, soturna, sem perder o seu característico ritmo, o seu vigor; sem deixar de ser o Kaiser Chiefs que conhecemos. Como exemplos dessa fase nova podemos citar o primeiro single do álbum, “Little Shocks” e as músicas “Child of The Jago” e “Can’t Mind My Own Business”; nelas pode se verificar um ar mais pesado, graças à maior presença das guitarras distorcidas e dos sintetizadores. Encontramos também momento de solidão e de melancolia nas músicas “Coming Up For Air”, em que gaita e piano contracenam com uma televisão (dando aquela impresão de estar numa prisão) e na “If You Will Have Me”, que é cantada pelo baterista junto do violão e do violino, trazendo um ar deprimente, muito deprimente. Prefere variar um pouco e ouvir um KC mais eletrônico? Se arrisque em “Heard It Break” e “Things Change”. Quer ouvir um KC mais parecido com o que você já está acostumado? Então ouça “Problem Solved”,”Long Way From Celebrating”, “Cousin In The Bronx” e “Dead Or In Serious Trouble”. Quer ouvir as que eu mais curti? Tente a “Coming Up For Air”, “Heard It Break”, “If You Will Have Me”, “My Place Is Here”, “Out Of Focus” e “When All Is Quiet”.

Resumindo: É um álbum que não supera o “Yours Truly Angry Mob”, o mais bem sucedido do grupo. Pelo menos no quesito “fórmula do KC”, que são frases repetitivas + indie rock. E é verdade que tem algumas músicas mais enjoativas ou chatas. Contudo, é sim um bom/razoável álbum por apresentar músicas com um estilo KC reconfigurado e por apresentar outros tipos de instrumentos/acabamentos, além do que já estamos acostumados. E não há tanto a ser reclamado, já que eles te dão a liberdade para escolher o que tiver mais a ver com a sua cara. Sim, eles realmente mudaram para algo mais sombrio e soturno, mais próximo de um Franz Ferdinand quem sabe, mas mantém ainda o seu estilo Kaiser Chiefs. É, você vai ouvir menos nanananana’s em troca de mais sintetizadores e guitarras, só que acho que isso tem mais à ver com a própria evolução da banda e não à uma perda das raízes. E isso é realmente bom. Mostra que eles conseguiram superar o período “Off With Their Heads” (penúltimo álbum), que com certeza não foi um dos melhores momentos da banda. Ou seja, se você já curtia o som deles, provavelmente esse é um álbum que valha à pena entrar na sua coleção.

Sobre a tática de marketing, sei que o KC não é conhecido por fazer inovações, mas acho que este meio que encontraram para vender foi uma ferramenta interessante (e até divertida), por incentivar, de certa forma, que os ouvintes explorassem o álbum inteiro, e não apenas um single ou outro. Aumentando, claro, as experiências musicais que terão com o álbum e a banda, já que ouvirão todas as faixas presentes e consequentemente terão “mais peixes vendidos”. E em tempos de alto compartilhamento virtual, onde só uma faixa ou outra de um CD é baixada… Conseguir fazer algo do tipo é um mérito.

Ok, este foi o post mais comprido que eu já escrevi e com certeza o mais trabalhoso também. E foi um grande prazer falar algo sobre a banda, que gosto muito. Se você conseguiu ler até aqui sem ter um ataque explosivo de sono, lhe dou os meus parabéns, porque eu sei que ler esse textão não foi um trabalho dos mais fáceis. Sim, você é um(a) guerreiro(a). Se orgulhe disso. ^^

Sim, você é um guerreiro

Lista de canções (em ordem alfabética):

  1. Back In December
  2. Can’t Mind My Own Business
  3. Child Of The Jago
  4. Coming Up For Air
  5. Cousin In The Bronx
  6. Dead Or In Serious Trouble
  7. Fly On The Wall
  8. Heard It Break
  9. I Dare You
  10. If You Will Have Me
  11. Little Shocks
  12. Long Way From Celebrating
  13. Man On Mars
  14. My Place Is Here
  15. Out Of Focus
  16. Problem Solved
  17. Saying Something
  18. Starts With Nothing
  19. Things Change
  20. When All Is Quiet

Farows Cambada!

*A banda lançou recentemente o cd em formato físico, com 13 músicas. E sem itens customizáveis, claro. =]

NOTA para o álbum em formato físico (The Independent):

2.5/5 stars2.5/5 stars2.5/5 stars

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