Is This It – 10 anos

Capa Original

A Capa Original de Is This It dos Strokes - Um álbum mamilístico que teve a sua capa censurada nos EUA...*

Fã de Nirvana, me dá uma chance: Eu sei que 2011 é ano pra se comemorar os 20 anos de Nevermind, mas não podemos ignorar a importância desse álbum com capa de bunda de mulher e o seu impacto cultural… Esse é um post tributo ao álbum aniversariante de 10 anos, o Is This It.

Introdução

Piscou? Perdeu. Foi para o banheiro no intervalo dar um cagaço? Perdeu a parte mais importante do filme. Parou pra pegar a pipoca que caiu no chão? Perdeu o beijo entre o Bond e Vesper. E ainda por cima, comeu uma pipoca suja e com gosto de merda. É sempre assim. E é o que acontece com o Álbum “Is This It”. Não, o álbum não é uma merda, pelo contrário, é muito bom. O que acontece, é que esse álbum, lançado a 10 anos, em 2001, teve uma importância desgramada para o cenário musical da década de 00, criando um eco gigante que pode ser ouvido até hoje em pleno ano de 2011. E quem não parou para prestar atenção, obviamente, não entendeu boa parte da indústria musical que envolveu os últimos anos. É, é um álbum importante. Vamos analisar essa obra com cuidado.

2001: Contexto

Vamos entrar numa máquina do tempo e nos direcionarmos para 10 anos atrás, em 2001. As pessoas usavam Palm, e não iPads, algumas ainda andavam de pochete, e o Napster e o Kazaa eram populares. Google? Não, o buscador da moda ainda era o Yahoo. E, falando em internet, ela ainda era considerada uma novidade, e a esmagadora maioria das pessoas a acessava via discador (aposto que um barulhinho chato – e nostálgico – bateu na sua cabeça). E claro, um certo ataque terrorista às Torres Gêmeas em NY ocorreu.
Pois é. Mas no que concerne ao cenário musical, do que a gente pode falar? Era majoritariamente composta por Pop à la Britney Spears, ou por Hip-Hop. Não que eu não goste (mentira, odeio a Britney) mas Yeah, that’s it. Rock? O que que era isso? Sim, salvo algumas resistências fracas, o bom e velho Rock ‘n Roll tinha tudo para ser considerado morto. Tanto que Lenny Kravitz já havia declarado a sua morte em 1995, com a música “Rock and Roll is Dead”. O artista até estaria certo, se um grupo de jovens novaiorquinos, pretensiosos ao infinito, não mostrasse ao mundo o que eles queriam fazer: Criar a melhor banda que a Terra já presenciou. É, é isso mesmo. Os filhinhos-de-papai, amamentados com leitinho de soja e nutridos com chocolate Lindt haviam decidido criar a melhor banda do mundo (O vocalista, Julian Casablancas, é inclusive, filho de John Casablancas, fundador e super-empresário da Elite Model Management, uma grande agência de modelos (Traduzindo: PODRE DE RICO))… E bom, talvez não tenha sido duradouro, mas eles acertaram no que queriam fazer, criaram a melhor banda daquele período, naquele momento de euforia. Nasceu o Strokes. E fez história.

Criando A Melhor Banda Do Mundo

Julian Casablancas, como todo garoto roqueiro comum, tinha o sonho de fazer sucesso com uma banda de rock. Super normal. Acontece que ele, aparentemente, não tinha o dom de tocar algum instrumento; não conseguia tocar violão, guitarra, baixo, bateria… Era complicado. Então, como todo garoto roqueiro comum e sem a habilidade de tocar um instrumento, ele resolveu por ser cantor. O problema é que ele não era tão bom como cantor, pelo menos pelos métodos tradicionais… Então, como todo garoto roqueiro comum, sem a habilidade de tocar um instrumento e sem os vocais comumente impostos pela sociedade, foi procurar uma referência vocal. E adivinha só onde ele achou essa referência? Sim, na banda da banana, mas conhecido como o The Velvet Underground (que é uma ótima banda), e mais precisamente, no vocalista dela, o Lou Reed (Caso você não saiba, o Lou Reed foi o precursor do estilo “sou desafinado até quando eu falo”, e, por apresentar essa característica serviu de influência para o nosso pequeno Julian). Enfim, desenvolvido o seu estilo de cantar, ele foi obviamente, criar a sua banda. Juntou Nikolai Fraiture (baixista, amigo de adolescência), Albert Hammond Junior (guitarrista, amigo do colégio “Le Rosey”), Fabrizio Moretti (brasileiro radicado americano, baterista, amigo do colégio “Dwight School”) e Nick Valensi (guitarrista, também amigo do colégio “Dwight School”) para criar nada mais, nada menos que os… Strokes. Com um som simples e descontraído, abusando das guitarras limpas, criaram um som bacana, original, que lhes rendeu um EP, o The Modern Age. E foi daí que tudo mudou. Inicialmente para eles, e depois para o mundo todo. Com o futuro hit “Last Nite”, acompanhado de mais duas faixas, “Barely Legal” e “The Modern Age”, o EP, lançado em Maio daquele ano, impressionou a mídia britânica (e não a de NY, ironicamente), fazendo muito sucesso entre os jovens ingleses (provavelmente graças ao Napster, que permitiu a propagação massiva das faixas). O Strokes já havia se tornado assunto nos famosos pubs ingleses, e não faltaria muito para que todo o resto do mundo conhecesse o seu som – simples, mas interessante. E realmente, não tardou a acontecer. Mais tarde, em Julho daquele ano, lançaram por fim, o álbum com a capa polêmica, o Is This It… E depois daí… o resto foi consequência. A mídia (algumas vezes, exagerada demais) funcionou em alavancar o álbum a nível de obra divina, como a salvação para aqueles que não aguentavam mais Pop e Hip-Hop e que desejavam o bom e velho rock de volta. E a propaganda, somada a pretensão inicial da banda de se tornar a melhor do mundo, realmente fizeram com que o sonho virasse realidade, SIM, ELES CRIARAM A MELHOR BANDA DO MUNDO, ainda que fosse por poucos instantes.

As consequências do álbum

Bom, vendo o álbum agora, no ponto de vista de uma pessoa do ano 2011, talvez você pense:

– Ah, não tem nada de mais, conheço inúmeras bandas que produzem um som parecido, algumas fazem até melhor…

Mas é exatamente aí que o álbum ganha o seu valor. Com o Is This It, a música de garagem conseguiu tomar um grande respiro do caixão em que estava e fez uma grande volta para o cenário musical, trazendo de volta aquele espírito Ramones guardado em cada um de nós. E claro, não podemos esquecer que a banda ajudou a alavancar outro vertente do rock… o indie rock, que apesar de já existir na década de 80-90, não tinha a força e relevância que hoje em dia possui. Com isso, influenciou várias bandas que vão dos Arctic Monkeys em seu rock rápido e caótico até os Black Keys, com o seu Blues-Rock. Trouxe também, como já dito antes no começo do post, o “rock” em geral de volta às maiores rádios, mostrando que ele ainda estava longe de morrer. E por fim, apesar de não ser o único responsável, ajudou a disseminar uma nova vertente da cultura jovem da década, alternativa, hipster, que gosta de um som rock alternativo, meio indie, que mescla o novo e o retrô em suas roupas, que abusa da jaqueta de couro e dos óculos Wayfarer e que não quer saber de ser igual a  todo mundo… Enfim, fizeram a cabeça dos jovens dos anos 2000. Não só no gosto musical, mas na própria essência de ser jovem.

Defendo esse álbum por ter sido (e ainda ser, claro) um jovem na década de 00 e ter sido influenciado, em ordem direta e indireta por essa nova cultura. Muito obrigado Is This It! Você mudou a vida de muitas pessoas de alguma forma ou outra! E Feliz Aniversário atrasado!

Track List:

  1. Is This It
  2. The Modern Age
  3. Soma
  4. Barely Legal
  5. Someday
  6. Alone, Together
  7. Last Nite
  8. Hard To Explain
  9. New York City Cops
  10. Trying Your Luck
  11. Take It Or Leave It

Vai aqui o vídeo de “Someday”, com participação do guitarrista Slash:

Farows Cambada! Prazer em Revê-Los! =D

* Caso você esteja se perguntando como a capa americana ficou, clique aqui. AVISO: É meio broxante😀

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