A música africana sub-saariana

Pouco se sabe sobre um dos gêneros musicais mais consagrados deste mísero e injusto planetinha chamado Terra. A música africana sub-saariana, sem um pingo de dúvida, uma das melhores coisas que já aconteceram no mundo musical. Mas ninguém conhece, ninguém teve a oportunidade de ser deliciado por esta maravilha envolvente, pois estávamos todos ocupados demais recebendo os enlatados dos U.S.A., de nove às seis. E a África, que sempre foi um continente rejeitado pelo resto do mundo, nunca pode sequer se dar ao luxo de mostrar a nós ocidentalistas seu poder musical. A primeira vez que nós escutamos uma música de um africano talvez tenha sido do rapper Knaan e sua “Wavin’ Flag” patrocinada pela Coca-Cola durante a Copa do Mundo de Futebol de 2010. Mas, mesmo assim, ouvimos uma música em inglês cantada por um somali, e não o que é TÍPICO deste continente tão grandioso. Por isso, hoje, farei uma homenagem pra esse gênero da World Music tão desconhecido, focando na música da África Negra e deixando um pouco de lado a África do Norte ou Árabe.

A percussão e a voz

Se você alguma vez na vida já ouviu algum africano conversando em alguma daquelas línguas tribais esquisitas já deve ter percebido um monte de “ko/omo/junjua/toba/etc”. Pois é, isso acontece porque a maioria das línguas tribais da áfrica sub-saariana são chamadas de tonais, ou seja, uma palavra pode admitir diferente significados dependendo da entonação que você dá a suas sílabas. Muitas dessas línguas acompanham um ritmo semântico peculiar, musical, como se acompanhasse as batidas de um tambor. E é por isso que essas mesmas línguas africanas são tão ideais pra se fazer música. E é por isso que a música africana vem sempre acompanhada de percussão forte e, muitas vezes, apenas de percussão e voz. Um casamento lindo.

Instrumentos

Os instrumentos mais comuns utilizados pelos compositores quenianos, nigerianos, sul-africanos e bla bla bla, são normalmente tambores de mais de 5000000 modelos diferentes de tambores (como o bougarabou e o tambor falante), xilofone, lamelofone (???), trompetes, sinos, pau-de-chuva, kalimba, mbira e mais outros 20199283 instrumentos esquisitos que eu não vou citar o nome aqui pela dificuldade de pronunciação.😄

Um lamelofone, que parece mais ter sido feito no quintal da casa do seu Antônio…

Sem eles, estaríamos f******

Se não fossem pelos africanos na certa estaríamos desorientados. Se as potências não tivessem explorado os territórios africanos durante o neo-colonialismo perderiam quase metade dos recursos conquistados. E ainda sim, na música, estariam mais lascados ainda. Por conta destes negros, surgiu nos Estados Unidos o jazz, adaptado da música trazida pelos escravos africanos. Consequentemente, evoluíram o gênero para algo mais ousado e com guitarras, o blues, que anos mais tarde daria origem ao Rock and Roll. Ou seja, sem africanos, sem ROCK. Então hoje, quando você for dormir, agradeça a Deus/Allah/Buda/Ganesha/Jeová/Bóson de Higgs por ter criado estes seres altamente inteligentes e que sem eles não estaríamos hoje ouvindo um bom Beatles.

  • NIGÉRIA
Dando um starting com os nigerianos, trago pra vocês o mestre Babatunde Olatunji, ativista, educador, e um dos melhores percussionista que já pisaram na Terra. De um dos maiores álbuns já lançados na África (Drums of Passion, de 1960), vai aí a “Kiyakiya”:
Babatunde Olatunji – “Kiyakiya”:
  • RUANDA
A vez agora é deste país de língua francesa, que vem com Jean-Paul Samputu, que traz pra gente um neo-gospel-africano-de-raiz. Pois é, estranho, mas é bem legalzinho… ROSANA NAS ALTURAS!!!
Jean-Paul Samputu – “Tuzagera”:
  • GABÃO
Pierre Akendengué é o nome da fera. Muitas músicas feitas durante a independência dos países africanos refletiam o estrato social da época e a repressão do governo. Com Akendengué não foi diferente, que chegou a ser deportado do país por causa de suas músicas. Considerado o pai da música gabonesa com seu primeiro disco lançado em 74 (Nadipo), ele representa hoje o Gabão, PARA A NOOOOOOOOSSA ALEGRIA!!! (entendedores vão entender assim que virem a imagem abaixo).
Pierre Akendengué – “Sesi”:
  • RD CONGO
Agora direto da República Democrática do Congo, algo diferente, que com certeza você nunca ouviu na sua vida. Imagine uma mistura muito louca de rumba catalana com música africana. Pois é, é nessa style que o TPOK Jazz ajudou a formar um gênero chamado “rumba congolesa”. O vídeo abaixo é de uma apresentação deles para um programa de televisão, cantando a música… “Mario”!!!!😀
 
  • MALAUÍ
Pois é, nossa viajem agora é para o Malauí, país de glórias e conquistas, um importante centro financeiro-econômico mundial que você admira e sempre torceu para visitar este paradisíaco país. E com ele trago Daniel Kachamba, tocando o clássico vencedor de 56 Grammys no final da década de 60, “Tsankho ndi Matenda”, que tem uma melodia de violão impressionante. O kwela, esse gênero de música que surgiu por causa dos escravos malauianos, serviu de inspiração para muito artistas sul-africanos, que criariam o kwela e, devido a sua popularidade, faria seu retorno ao Malauí através de Daniel Kachamba. Glória ao Malauí!
Agora você já pode falar para o seu professor de geografia que você conhece o Malauí E já ouviu uma música deste país tão perdido. \o/
FALOU CAMBADA!

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