O sucesso atrasado de Lykke Li na Europa

O título do post de hoje já é meio auto-explicativo. Pra quem não conhece, Lykke Li é uma cantora sueca que divide um sucesso glamoroso dos nórdicos no mundo hipster, junto com os também suecos do Peter Bjorn and John e a islandesa Björk. No início do ano passado, no dia 11 de janeiro, a cantora havia lançado a música “I Follow Rivers”, que apareceria um mês depois no seu segundo disco de estúdio, Wounded Rhymes. A música havia feito um sucesso considerável, mas ficou mais restrita ao público underground. Então como ela foi desenterrada até chegar ao mainstream?

EXATAMENTE da mesma forma que Gotye chegou ao estrelato com a sua “Somebody That I Used to Know”. Se você já ouviu a música (se não o vídeo está no final do post), deve ter percebido que “I Follow Rivers” possui uma levada bem indie e que foge muito do padrão das músicas top charts de hoje em dia. O que acontece para que essas músicas façam tanto sucesso é que nunca é a versão original que estoura. Em “Somebody That I Used to Know” a versão que fez sucesso foi o cover do Walk Off the Earth, em que os cinco membros da banda tocam a música toda em um só violão ao mesmo tempo. A música original, lançada em julho de 2011, só chegou ao topo em janeiro de 2012, quando o Walk Off the Earth fez a tão aclamada e criativa versão. Inclusive, até em março na Europa só se ouvia a canção cover, e muitos nem sabiam que existia uma versão original. Apenas por volta de abril o povo europeu começou a escutar a versão de Gotye com a Kimbra, quando a música já era internacionalmente conhecida, e a febre por “Somebody That I Used to Know” estava no seu auge. Gotye lucrou milhões.

Mas o sucesso atrasado de Gotye, quase um ano após o lançamento de sua música, não se compara à demora para “I Follow Rivers” virar um hit. Como já dito, Lykke Li lançou a canção em janeiro do ano passado, mas só chegou aos ouvidos da galera no final de agosto de 2012. Isso porque a versão original ganhou um cover da banda Triggerfinger em abril de 2012, que proporcionou o sucesso de um remix feito pelo dj The Magician em março de 2011, que adicionou percussões mais bruscas no ritmo pop four-on-the-floor. Ou seja, a versão original de Lykke Li nem se quer foi mencionada nesse processo. O cover do Triggerfinger, que tem mais swing dirigiu a atenção do público para o remix do original. Ou seja², um cover promovido por um cover fez mais sucesso que o original. Acho que já deu pra entender né?

Mas isso é só pra enfatizar o tanto que a indústria musical é uma mer*a. Você trabalha meses em uma canção pra fazerem um cover e você ser esquecido no vazio dos estúdios de gravação. Mas como esses artistas que fizeram as versões originais devem provavelmente estar cagando dinheiro agora por causa dos direitos autorais, somado que os covers são excelentes, este post não serve pra nada. Mas sempre fica aquele gostinho de “por*a, a música é minha, cazzo!”.

Lykke Li – “I Follow Rivers” (o original):

One thought on “O sucesso atrasado de Lykke Li na Europa

  1. Assino em baixo. É mesmo uma pena que grandes artistas talentosos não tecebam o credito que merecem enquanto tem outros que so por apelacao

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