Dia da Independência: O Funk Carioca e suas verdades e mentiras

7 de setembro: um dia magnífico para este país lindo e sensual! Um dia em que ficamos independentes dos comedores de bacalhau para ficarmos dependentes dos Estados Desunidos da América! E entre mentiras e verdades na história do nosso Brasil, o post de hoje é uma homenagem a um ritmo que a cada ano cresce mais no país e que já é reconhecido internacionalmente. Não, não é o samba nem a bossa nova, e muito menos o “Ai Se Eu Te Pego”. Hoje o bagulho é v1d4 l0k4.

As origens do funk

Se você chegou até aqui, parabéns, você faz parte dos 2% que tiveram coragem de passar do título sem nenhum preconceito. Muitas vezes ao ouvir a palavra “funk” as pessoas já pensam em três sinônimos primordiais: “violência”, “putaria” e “drogas” (ou “filho da puta sem fone do busão”). E quando os defensores do funk aparecem na mídia dizendo que eles apenas narram o cotidiano de quem mora na favela, são brutalmente punidos pela burguesia que não encontram o mínimo sentido em suas letras devastadoras.

A verdade é que tá todo mundo errado nessa história. Pra começar, “funk” não surgiu no Brasil e não tem absolutamente nada a ver com favela e BOPE. O funk é um gênero musical norte-americano que é uma derivação do soul. Isso quer dizer: swing, teclados, dança e um baixo bem acentuado. Mas durante a década de 70 os bailes VERDADEIRAMENTE “funks” no Rio de Janeiro buscaram uma inovação pra música da favela, algo que realmente se tratasse mais da vida no morro. Os DJs passaram a incluir o ritmo do miami bass, a incluir rap nas músicas, e entre uma mescla e outra, o funk carioca estava pronto para sair do forno. Mesmo nome do original, porém bastante diferente.

A popularização do novo estilo nas favelas do Rio foi assustadora. Na década de 80 começaram a surgir os primeiros famosos DJs e MCs, como o DJ Malboro por exemplo, que até hoje agita suas baladinhas enquanto você toma um porre. Mas foi na década de 90 que essa bagaça começou a ficar séria de verdade…

O sucesso do funk

A concretização e massificação do funk carioca para fora das comunidades foi proporcionada principalmente pela ajuda da mídia. Não, não havia a Regina Casé naquela época pra sair revelando funkeiro por aí, graças à Deus. Quem se dava a esse trabalho era a Xuxa (sério, não tem piada aqui não). Muitos funkeiros passaram pelo programa Xuxa Park, dentre os mais importantes Latino e a dupla Claudinho & Buchecha. Isso porque eles cantavam (ou ainda cantam) um gênero chamado funk melody, que é o funk carioca com bastante tecladinho de bicha e com letrinhas de amor tão melosas que se passar no papel ele cola. Brincadeiras à parte, o funk melody é um grande gênero da nossa música, mas não é o que deveria ter ganhado a atenção da mídia. Enquanto um gênero fazia um sucesso capcioso, o outro, o funk carioca de raiz, original, que narrava o cotidiano da favela e denunciava a violência, ficou restrito às comunidades carentes do Rio. E com o passar dos anos, foi perdendo espaço, quase sem incentivo.

O proibidão, o PCC e o Comando Vermelho

O que surgiu então das profundezas dos bailes funk foram traficantes disfarçados de músicos, cantando e clamando a violência, o tráfico e as facções criminosas. O “proibidão” parecia para a população local muito mais atraente do que falar de problemas sociais. Pegar em uma arma parecia muito mais legal do que soltá-la. A mensagem de grupos terroristas como o PCC (de São Paulo) e o Comando Vermelho (do Rio) foi sendo aos poucos distribuída para os seus parceiros e simpatizantes. O que antes era música, acabou virando apenas rimas chulas de glorificação da violência. Não é muito difícil achar o “proibidão” no YouTube. Mas não o “simples” proibidão. O proibidão do PCC. O proibidão do Comando Vermelho. Muitos versos narram a paz, a justiça e a liberdade como sendo “tacar uma granada” ou “abençoar o Marcola”.

E como se não bastasse a apologia à violência, começou na década de 2000 a apologia ao erotismo. Aí entra a nossa querida Tati Quebra-Barraco e seu Fogão Dako, que é bom. A animalização tomou conta total desse “gênero musical”. Nesse instante, o funk carioca passou da categoria de música para barulho, provavelmente com uma loira siliconada gemendo no seu ouvido ou um cara berrando “vo te comer” como um gorila.

A propagação internacional do funk

Dois fatores foram essenciais para que o funk pudesse ser apresentado ao mundo:

  1. A canção “Bucky Done Gun” da M.I.A.
  • Vindo ao Brasil e dando umasóiada no panorama favelístico do Rio de Janeiro, M.I.A. se interessou pelo ritmo carioca e decidiu fazer uma versão em inglês do ritmo. O sucesso “Bucky Done Gun” saiu em 2005 e estourou nas paradas internacionais.

2.  O filme “Tropa de Elite”

  • O “Rap das Armas”, remixado e reescrito por Cidinho e Doca, fez parte da trilha sonora deste glorioso filme vencedor do Urso de Ouro de Berlim. O problema é que enquanto você cantava esse lixo na balada esses dois folgados lucravam escrotalmente contando os passos de como você deve estourar a cabeça de um alemão.

O funk que ficou esquecido

Se o Cidinho e o Doca fizeram sucesso com uma música que nem é deles, os autores de “Rap das Armas”, Junior e Leonardo ficaram esquecidos no vácuo da indústria musical brasileira. A música original da década de 90 narrava a violência como sendo algo repugnante e a corrupção o mal do país. Na versão atual do filme, a violência mais parece algo bom e divertido.

E como esquecer do MONSTRUOSO “Rap do Silva” do Bob Rum? O cara era funkeiro, mas era pai de família…

O que aconteceu com o funk foi que a realidade foi transformada em meras ilusões eróticas para entreter um público carente de cultura. O importante aqui nesse dia de independência do Brasil é perceber a maior coisa que falta em todos os nossos 190 anos de autonomia política: a educação. Sem a educação, os pilares que sustentam a sociedade se desfazem. A cultura se desfaz. A violência aumenta. O que é vulgar e animalesco suprime a razão. Não adianta falar que é preconceito contra o funk carioca de atualmente, porque essa é simplesmente a realidade. Esse povo que você vê cantando “a minha vó tá maluca” ou “a novinha do msn” simplesmente não teve um bom ensino. Mas não necessariamente quem não teve uma boa educação não possui a razão. Se fosse assim, Justin Bieber seria quase um Aristóteles.

Sim, o funk carioca já foi bom um dia. Mas em uma época distante, quando o funk não era modismo, e sim uma necessidade.

M.I.A. – “Bucky Done Gun”

 

Junior e Leonardo – “Rap das Armas”

 

Bob Rum – “Rap do Silva”

One thought on “Dia da Independência: O Funk Carioca e suas verdades e mentiras

  1. rapaz,na boa concordo em partes com a sua colocação,pois curto esse ritimo a mais de 20 anos e sei que o que se toca hoje é um verdadeiro lixo,mais a musica brasileira tbm é um lixo,então fica elas por elas,agora por favor,mais respeito com o funk da antiga,os meldys poderiam até serem melosos demais,mais tinha conteudo.Respeito sim o seu ponto de vista pois vivemos em um pais livre,mais respeite a classe mais pobre do pais,pois é com o suor deles do dia a dia que carrega este pais nas costas ok

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