Radar: The 2nd Law

Um dos álbuns mais polêmicos (mais do que mamilos) e esperados do ano chega no blog com uma review antecipadíssima, 6 dias antes do lançamento do álbum no Brasil! Eu dei uma ouvida e uma reouvida no disco, de trás pra frente, e tá na hora de dizer se essa budega é boa ou é só conversa. Estou falando de The 2nd Law do Muse.

A capa do disco

Começando pelo mais básico, à primeira impressão da capa de The 2nd Law nos diz claramente que a banda andou dando um tapa na pantera. Mas uma busca na internet sem muito esforço descobre-se logo que a couve-flor alucinógena acima é na verdade o mapa cerebral do ser humano, com as terminações nervosas e os processos de sinapse coloridos em neon. GENIAL.

Muse dubstep? É verdade isso, Arnaldo?

Sim, Arnaldo, isso EM CERTA INSTÂNCIA é verdade. O Matthew Bellamy, vocalista da banda, andou ouvindo um Skrillex nesses últimos tempos e pelo jeito acabou querendo fazer algo parecido (ou igual) no álbum. Os rumores de que o Muse estava se tornando “dubstep” surgiram quando foi lançado o trailer do álbum, que mostrava vídeos e imagens de todos os âmbitos e males de uma sociedade capitalista com uma orquestra no fundo, até que de repente, surgia um robô maldito dando uma de “oh my gosh!” e soltando um Skrillex que assustou muitos fãs do Muse. Sim, existem vários elementos de brostep no álbum (o brostep é na verdade um sub-gênero do dubstep, que é como música eletrônica com sintetizadores pesadíssimo pra dar um tom de metal). Mas eles só aparecem mesmo como acompanhamento das músicas, então não tem muito com o que se preocupar com essa história de “agora que o Muse virou dubstep a banda acabou”, porque não tem naaaaada a ver. E a música tocada no trailer de The 2nd Law era um trecho da décima-segunda faixa, “The 2nd Law: Unsustainable”.

O disco e suas músicas

Para aqueles que pensaram que o Muse mudou demais para esse disco com relação aos anteriores só por causa da adição de uns sintetizadores, pode esquecer. A banda continua praticamente a mesma. PRATICAMENTE.

The 2nd Law é um disco com a mesma genialidade de sempre do Muse, mas que se parece bastante com seu antecessor, The Resistance, ganhador do Grammy de melhor álbum do ano. O Muse tentou fazer algo original em The 2nd Law, mas sem sucesso. A banda acabou caindo demais no estilo de outras bandas e artistas, mesclando isso ao rock ópera da banda. Ou seja, a originalidade do Muse pra esse cd foi pro espaço.

Mas será que isso é algo ruim? Creio que não. Porque as músicas são sensacionais, mas pra fazer a resenha das músicas eu vou dividi-las de acordo com a cópia influência de cada uma.

Led Zeppelin: Logo de cara nos deparamos com a “Kashmir” do disco, “Supremacy”, que pode ser considerada a mais original do disco, com uma guitarra e um baixo amplamente distorcidos e um falsete feito por Bellamy que é de arrepiar. Uma das melhores de The 2nd Law.

Queen: “Madness”, a segunda faixa do disco, é a “I Want to Break Free” melódica. A melhor disparada do álbum, e quem sabe talvez a melhor já feita pela banda. Essa música merece todos os prêmios possíveis que vier a concorrer. O uso consciente dos sintetizadores, o solo monstruoso que aparece do nada após o segundo refrão, e é claro, o coro do final fazem dessa faixa um Picasso da música. Além de “Madness”, o Muse buscou ainda no Queen “Explorers”, a “Don’t Stop Me Now” desacelerada. “Prelude” é uma composição rápida no piano (também à la Queen, um prelúdio obviamente) que apenas dá a passagem para “Survival”, single das olimpíadas, é literalmente uma ópera, uma música que cria expectativas demais mas que acabam um pouco frustradas.

Stevie Wonder: A terceira música, “Panic Station” é claramente inspirada na música “Superstition” do nosso ceguinho. Ok, desculpe-me pela piada preconceituosa, mas ele não vai ler isso mesmo… MWAHAHAHAHA!!! Essa sim pode ser a chamada música que o Muse tentou fazer algo realmente diferente, e pelo jeito deu certo.

U2: “Big Freeze” tem uma linha de guitarra extremamente parecida com a que o The Edge usa em “Where the Streets Have No Name”. O simples trabalho do baterista Dominic Howard na música também ajuda bastante. Enfim, se é inspirada em música boa, há grande chance de se tornar uma música boa. E não é pra menos, “Big Freeze” é impressionante, uma ordem de download.

Radiohead: Ok, isso é um fato, o Radiohead sempre foi a maior influência para o Muse, mas em “Animals” Matthew Bellamy e sua turminha fizeram a “Paranoid Android” 2.0, que termina com um bando de animais, quer dizer, de gente gritando no final que nem loucos.

Beach Boys: O plágio do disco em cima dos Beach Boys foi da música “Save Me”, que se parece com qualquer música do Beach Boys, que aliás é o nome de uma famosa música do Queen do álbum The Game (1980). “Save Me” é cantada pelo baixista Christopher Wolstenholme, e a cantoria segue muito um estilo simples de “alto-baixo-alto-baixo”, cada nota com o mesmo tempo.

Rise Against: Uma faixa totalmente nada a ver no disco mas que dá para The 2nd Law o gás que estava faltando depois de um período de sucessivas músicas muito “orquestradas”. Mais uma faixa cantada pelo Christopher que aparece logo depois da “Save Me”, chamada “Liquid State”, um metal alternativo que lembra um pouco os tempos do Muse de “Hyper Music”, “Hysteria” e “Stockholm Syndrome”, mas que apresenta diversas características de várias músicas juntas do Rise Against.

Skrillex: Bem, ele esteve presente durante todo o disco hahaha. Mas em especial em “Follow Me”, a sexta faixa do disco, e as duas últimas, “The 2nd Law: Unsustainable” e “The 2nd Law: Isolated System”, que deixam claro que o Muse seguiu a linha de The Resistance fazendo as faixas de encerramento do disco serem orquestrais para acabar com aquele impacto. “Unsustainable” é uma cópia muito descarada das músicas do Skrillex e o slides na guitarra de Matthew Bellamy chegam a irritar um pouco, mas é bem legal e inesperada. Logo em seugida, “Isolated System” tem mais vibe e não é tão impactante, mas se você fechar bem os olhos e apenas ouvi-la, se desligando do mundo lá fora, vai ser uma das composições mais estranhamente belas que você vai ouvir, encerrando The 2nd Law de uma maneira fenomenal, mexendo com sua cabeça e te deixando confuso, pensativo, da mesma forma que um Kid A.

Em resumo, o disco não tem nenhuma música fraca, mas não é a perfeição que eu esperava que fosse ser. Todavia, se você curte o rock dos anos 2000 e possui o The Resistance, digamos que está na hora de dar um upgrade, e The 2nd Law será obrigatório na sua prateleira.

Pontos Altos: “Madness”, “Big Freeze”, “Supremacy” e “Panic Station”.

NOTA: 3.5/5 stars3.5/5 stars3.5/5 stars3.5/5 stars

Muse – The 2nd Law:

  1. “Supremacy”
  2. “Madness”
  3. “Panic Station”
  4. “Prelude”
  5. “Survival”
  6. “Follow Me”
  7. “Animals”
  8. “Explorers”
  9. “Big Freeze”
  10. “Save Me”
  11. “Liquid State”
  12. “The 2nd Law: Unsustainable”
  13. “The 2nd Law: Isolated System”

Muse – “Madness”:

2 thoughts on “Radar: The 2nd Law

  1. ERRATA: antes estava escrito que o “Radiohead era a maior influência para o Queen”… É ÓBVIO QUE ISSO É MENTIRA, eu estava com Queen na cabeça, o que eu quis dizer (que já foi corrigido), foi que o Radiohead é a maior influência para o MUSE, claro, é a banda que tá sendo analisada pelo álbum. Mas se você chegou a ler essa minha idiotice e realmente acabou confundindo e deu sorte de voltar aqui e ler essa errata, peço mil perdões por ser tão lesado mental…😀

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