Radar: Channel Orange

O sucesso prévio de Frank Ocean

Channel Orange é o primeiro álbum de estúdio de Frank Ocean, um dos álbuns com as maiores expectativas do ano lançado no mês de julho. Todos os críticos puseram suas apostas de 2012 principalmente em Lana Del Rey e Frank Ocean. Isso porque o cantor lançou no início do ano passado a mixtape Nostalgia, Ultra, um sucesso que garantiu a ele uma participação no álbum Watch the Throne, de Jay-Z e Kanye West. Um cover de “Strawberry Swing” do Coldplay, presente na mixtape, também ajudou o cantor a alcançar o sucesso.

Channel Orange e o porquê esse disco não decepcionou os críticos

O disco começa com a abertura do PlayStation 1 como introdução, acredite se quiser. E se você decidir ouvir esse disco, se prepare, porque têm outras quatro introduções ou músicas de transição, sendo elas “Fertilizer”, “Not Just Money” e “White”, que tem a participação de John Mayer, e mais uma ao final. A primeira música de verdade é “Thinkin Bout You”, que tem uma letra bem clichê mas muito bonita. O downtempo da música junto com a atmosfera que a envolve cria um clima ambiente, nostálgico. O engraçado é que Frank Ocean é homossexual, mas narra claramente na música uma paixão por uma mulher, o que abriu portas aos críticos para uma suposta possibilidade de bissexualismo. A faixa “Sweet Life” resgata um soul perdido dos anos 80, e é a mais contagiante do disco. “Super Rich Kids” mais parece uma música do Gorillaz tirada de Plastic Beach do que uma composição original; traz batidas nervosas acompanhadas de um vocal melancólico e boêmio. Passando por “Pilot Jones”, entramos em “Crack Rock”, uma faixa vazia e meio complicada, mas com uma bateria maneira que lembra às que o Radiohead usou em Kid A e em algumas faixas de Ok Computer. É uma das melhores do disco, e apesar da letra suja os versos impressionam, como “You’re smokin stones in abandoned homes”. Mas “Crack Rock” apenas nos prepara para o que vem a seguir, uma das maiores composições dessa década, “Pyramids”. Possui 9 minutos, algo incomum no R&B, e o conceito de viajem do disco tem sua fórmula aplicada aqui. Se fizéssemos uma mescla de Prince, Pink Floyd e Justin Timberlake chegaríamos ao que é “Pyramids”. A obscuridade, o Iluminati, e o que podemos chamar de sexto sentido associado à música encerram um primeiro momento do disco ao final de um solo “atmosférico” de John Mayer. Começa assim o que seria o segundo momento do disco, que vem com força em “Lost”, cotada para ser o próximo single de Channel Orange. Duas outras músicas nessa parte final me chamaram a atenção: “Pink Matter”, com o rapper Andre 3000 (do OutKast) realizando os únicos versos rápidos de todo o disco, e “Forrest Gump”. O encerramento vem com “End/Golden Girl”, duas músicas separadas unidas em uma faixa só. “End” seria a quarta introdução que eu mencionei lá no início, e após isso, vem um silêncio de 2 minutos mais ou menos, até entrar “Golden Girl”, que fecha Channel Orange com um ritmo bem afro-americano.

O impressionante do disco é a consistência de Frank Ocean e a precisão do cara em fazer algo tão clichê se transformar em uma viagem. Não há rimas ou métrica pelo lirismo do disco, o bom mesmo é ouvir a voz desse cara. Quem ouve de primeira pode acabar pensando em Frank Ocean como o novo Ramones (ou Chuck Berry), onde todas as músicas do disco são iguais e Channel Orange não é mais que uma grande faixa de uma hora. Ouvir uma música desse álbum realmente pode não parecer lá essas coisas, mas há todo um contexto por trás do álbum e o legal mesmo é ouvi-lo do início ao fim. Mas algumas faixas como “Lost” e “Monks” (especialmente pela linha de baixo da segunda) podem ser exceções.

Channel Orange lembra bastante o revolucionário FutureSex/LoveSounds do Justin Timberlake, mas em uma versão mais calma e menos light. ‘Menos light’ pois as letras são bem pesadas e abordam bastante os temas sexo e drogas, mas acima de tudo, o amor não correspondido. Frank Ocean reinventa o R&B em seu disco de estreia, pega o estilo contemporâneo do gênero e une-o ao antigo que fez sucesso durante os anos 40 ao 60 nos Estados Unidos com um velho xará de Ocean, Frank Sinatra.

E por ter me proporcionado essa maravilhosa viajem de 1 horas e 2 minutos, Frank Ocean leva as primeiríssimas cinco estrelinhas do blog dada a um disco recém-lançado.

NOTA: 5/5 stars5/5 stars5/5 stars5/5 stars5/5 stars

Pontos altos: o disco todo, mas especialmente “Pyramids”, “Lost”, “Sweet Life”, “Forrest Gump” e “Crack Rock”.

Aqui vai o vídeo de “Pyramids” (uma versão diferente da do álbum), que bem pesadinho e tem várias alusões aos Illuminati, então se você tem menos de 18 anos, não conte pro seus pais:

Channel Orange – Faixas:

  1. “Start”
  2. “Thinkin Bout You”
  3. “Fertilizer”
  4. “Sierra Lione”
  5. “Sweet Life”
  6. “Not Just Money”
  7. “Super Rich Kids” (feat. Earl Sweatshirt)
  8. “Pilot Jones”
  9. “Crack Rock”
  10. “Pyramids”
  11. “Lost”
  12. “White” (feat. John Mayer)
  13. “Monks”
  14. “Bad Religion”
  15. “Pink Matter” (feat. Andre 3000)
  16. “Forrest Gump”
  17. “End/Golden Girl” (feat. Tyler, The Creator)

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s