The Weeknd: a genialidade de Abel Tesfaye

Olhos semi-cerrados; apatia altamente visível envolta sobre uma aura de solidão e desesperança; dreads arreganhados e um estilo pessoal bastante peculiar e polêmico. Abel Tesfaye, conhecido pelo seu pseudônimo artístico, The Weeknd, é um cantor canadense de R&B que anda fazendo bastante sucesso nos EUA devido especialmente às suas participações com grandes artistas como Drake e Wiz Khalifa. Mas sou suspeito para dizer que The Weeknd supera ambos e por muito. Mas por que diabos um homem tão apático e obscuro seria capaz de produzir algo tão absurdamente genial no meio de um cenário pop tão decadente e comercial?

É aqui que está o ponto. The Weeknd é o maior fenômeno pop desde Michael Jackson. Mas com diferenças gritantes em relação ao rei do pop. Abel criou por trás da figura do The Weeknd um ser humano depressivo, ninfomaníaco e viciado em drogas. Se você é um mafagafo assíduo que manja dos inglês da vida e tentar ouvir e entender as letras de Abel logo perceberá alguns aspectos bem marcantes: PUTARIA e DROGAS. Mas suas letras transcendem meramente o uso de drogas recreativo, sexo desenfreado e os inúmeros fuckings espalhados por suas músicas: festejar é uma obrigação ao Homem, sexo é uma alienação biológica e fugir da realidade é a única solução para os problemas que cercam a vida.

Para provar como esse cara sabe usar um jogo sensacional de palavras, se liga aí na primeira estrofe da letra de “Wicked Games”, a música de maior sucesso do cantor:

I left my girl back home, I don’t love her no more
And she’ll never fucking know that, these fucking eyes that I’m staring at
Let me see that ass, look at all this cash
And I’ve emptied out my cards too
Now I’m fucking leaning on that

Já nessa primeira estrofe da música The Weeknd nos passa uma mensagem clara: a de que sua namorada está sendo traída por ele: “Deixei minha garota em casa, eu não a amo mais, e ela nunca vai saber sobre esses olhos que eu estou olhando”. É interessante frisar sobre a maneira como ele trata a outra garota: “Deixe-me ver essa bunda, olha toda essa grana”. O que já nos dá uma pista para a próxima estrofe, o pré-refrão:

Bring your love baby I can bring my shame
Bring the drugs baby I can bring my pain
I got my heart right here, I got my scars right here
Bring the cups baby I can bring the drink
Bring your body baby I can bring you fame

Pode-se notar um certo arrependimento do eu-lírico por estar fazendo aquilo, já que logo na primeira linha ele diz: “Traga seu amor que eu trago a minha vergonha”. Seu coração vem acompanhado de suas cicatrizes. Ou seja, ele deixa algo para trás mas não consegue tirar isso da cabeça. Mas o mais interessante vem ao final do refrão:

So tell me you love me
Only for tonight

Nestes versos o cantor sozinho é quem canta o primeiro verso enquanto um coro ao fundo acompanha-o num contra-tempo o segundo verso. Existe aí uma relação muito mais do que apenas dinâmica para a música: há uma conversa entre ele e a mulher “dos olhos que ele observava”. Ele diz para que ela o ame, mas ela retruca dizendo que só por uma noite. Ou seja, nesse emaranhado de interpretações podemos concluir que se trata de uma prostitua: o dinheiro envolvido num sexo implícito e a forma como ela retruca ao eu-lírico dizendo que ela só pode “amá-lo” por uma noite nos permitem identificar esse parâmetro. E parece que sempre há alguém interagindo com Abel nas músicas, ele nunca está sozinho em suas letras. Preste atenção em como a descrição do uso de drogas é feita em “High for This”, como a persuasão é extremamente bem trabalhada no refrão:

Open your hand
Take a glass
Don’t be scared
I’m right here
Even though you don’t roll
Trust me girl
You wanna be high for this

O eu-lírico é sempre a famosa “má influência”, aquele que trai, que usa drogas e incentiva os outros a usarem, que acha que a melhor forma de encarar a vida é fugindo dela. Mas nada disso vem com o intuito de incentivar ou criticar esse tipo de coisa; tudo não passa de descrições do que realmente acontece em festas, prostíbulos e em casa na hora de dar um tapa na pantera. Reiterando: nada vem como incentivo, mas também não há nenhuma crítica por trás. A neutralidade nas músicas de Abel Tesfaye é tamanha que você se envolve na sua aura de obscuridade, você entra na viagem musical que ele quer que você entre ouvindo sua voz. Se você ouviu alguma das músicas que eu coloquei até agora, deve ter percebido isso.

Há um tom muito sombrio na melodia delas. E isso é um padrão que se segue por todos os álbuns do The Weeknd. A obscuridade e o mistério se fazem presentes a todo instante. Uma guitarra normalmente tocada em tons graves e em notas duradouras ajudam a criar esse clima de que nada daquilo é real. É tudo fantasia, sonho. É tudo uma grande viagem após umas boas doses. Sua voz vem sempre ecoada para criar essa sensação de que estamos todos “altos”, drogados. A batida das músicas são no geral bastante pesadas: um bumbo saltitante dá o tom dançante e a cada batida de uma caixa distorcida que mais parece explodir causa uma sensação de que estamos tentando ser reanimados por um desfibrilador. A overdose é inevitável em suas músicas…

Existe um aspecto engraçado até mesmo na distribuição de seus álbuns: os três primeiros do cantor são mixtapes lançadas em 2011 que vieram compiladas num grande disco triplo denominado Trilogy (2012). House of Balloons, Thursday e Echoes of Silence seguem não só uma linha cronológica de lançamento, mas também de um aspecto semântico – primeiro a festa (House of Balloons) com todas as curtições e putarias a que se tem direito, a volta para casa após a festa (Thursday) com aquela garota para aquela chumbolinada durante a madrugada e a ressaca do dia seguinte (Echoes of Silence) com todas as decepções possíveis. Para provar essa teoria, a primeira música de Echoes of Silence é “D.D”, um cover único de The Weeknd para o clássico de Michael Jackson, “Dirty Diana”, em que logo nos primeiros versos notamos:

You’ll never make me stay
So take your weight off of me
I know your every move
So won’t you please let me be
I’ve been here times before
But i was to blind to see
That you seduce every man
This time you won’t seduce me

Ou seja, até o álbum anterior a suposta Diana era um sonho para o autor, até chegar a sua decepção ao amanhecer e ouvir os ecos do silêncio! Pirei, to PAS-SA-DA…

E no ano passado The Weeknd lançou seu primeiro disco propriamente dito: Kiss Land, que não agradou a crítica como o esperado mas chamou a atenção por ser um álbum com uma ajuda fantástica de Drake sem perder o estilo que caracterizou The Weeknd. Confere aí a “Belong to the World”:

Só ficou faltando mesmo acrescentar que The Weeknd tem sua gravadora própria, a XO, sigla em inglês para “hugs and kisses” (não me pergunte o porquê).

Encerrando o post, só gostaria de dizer que um artista desses não pode passar em branco. Portanto, recomendo largar todos seus preconceitos com relação a gênero musical ou temática abordada: você não precisa se drogar para ter uma viagem, é só ouvir The Weeknd.

12 thoughts on “The Weeknd: a genialidade de Abel Tesfaye

  1. No caso do XO, significa Ecstasy and Oxycodone. Drogas potencialmente forte para criação de euforia e extase, como a outra para depressao e anestesia.
    Esse lance é criado pra definir os pontos altos da vida, e baixos, ele é um gênio, ele pensou numa construção de teorias em volta das suas musicas e enfim, criou uma personalidade única.
    Sou fã pra caralho hahaha

    • oii!!! ja que você é fã pra caralho, por favor me ajuda a lembrar o nome da musica que ele volta de viagem com flores e a mulher esta o traindo, ele acaba com td kkk explode td mundo… please bjoo

      • Simplesmente APAIXONAAADA me instiga a ouvir,chorar,transar tudo muito discreto e em segredo adoro melancolia em suas musicas ah Karolina a música acho que é THE HILLS!!

  2. Amei a. Materia queria saber se você tem alguma coisa nova sobre ele, agora que estourou por causa da música dele no filme 50 tons de cinza ele ta estourando shows pra todo lado turnês mas até agora não vi nada dobre errem no Brasil eu iria ficar bem contente se pudesse ter alho sobre ele obrigada.

  3. Incrível como você descreveu esse artista por quem sou apaixonada! Desde que eu conheci The Weeknd eu não passo nem mesmo 1 dia sem ouvi-lo,estou vendo a hora eu ter uma overdose ! Parabéns ,excelente artigo !

  4. Ele é incrível! A melodia é real uma viagem…
    A música ” The Birds Pt. 2″ é uma das minhas preferidas. É sexy, é sombria, é melancólica.
    Um som para viajar, dormir, namorar. A voz é sensacional, as batidas são maravilhosas.
    Adoro as músicas de Trilogy, mas não gostei da Belong to the world. Tomara que com o sucesso ele permaneça nesse clima viajante e não se transforme em mais um cantor pop em busca de vender músicas “chicletes”.

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